No histórico das
abordagens do ensino de línguas estrangeiras nem sempre as tecnologias
estiveram presentes. Se compararmos a metodologia gramática-tradução, uma das
pioneiras no ensino das línguas clássicas como latim e grego, com a abordagem
comunicativa, uma das últimas abordagens desenvolvidas pelos teóricos para o
ensino de línguas, veremos o quanto a tecnologia pode ser útil para o estudo de
idiomas estrangeiros.
Na abordagem
comunicativa há variadas maneiras de se trabalhar a aquisição da língua-alvo,
como “o trabalho em grupo que permite a comunicação entre os alunos (com a
preocupação maior nas estratégias de comunicação do que na forma dos
enunciados); as técnicas de criatividade e as dramatizações que permitem a
expressão mais livre, a leitura silenciosa, global de textos autênticos (em
oposição a textos fabricados para fins pedagógicos)[1]”. Através das ferramentas
tecnológicas disponíveis hoje, é possível que os alunos ponham em prática o que
já aprenderam da língua e sobre ela de forma mais real. Pela internet e através
de alguns programas de computadores (o Skype, por exemplo), estas atividades se
tornam mais fáceis de serem realizadas e também mais agradáveis do que da
maneira tradicional, com caderno, livro e quadro.
Para atividades de
comunicação entre os alunos, há vários sites que reúnem estudantes de variados
idiomas e que podem conversar através de bate-papo, com áudio e vídeo, testar o
conhecimento adquirido, aprender mais, usar as quatro habilidades (ler,
escrever, ouvir e falar), tudo em tempo real, com falantes nativos e com outros
estudantes estrangeiros também. Além disso, na internet é possível ler textos
autênticos, ou seja, textos que são escritos por alguém cuja língua materna é o
idioma estudado e que são produzidos em um contexto específico.
Outra vantagem
desta abordagem para o ensino de língua é que “o professor deixa de ocupar o
papel principal no processo ensino-aprendizagem, de detentor do conhecimento,
para assumir o papel de orientador, “facilitador”, “organizador” das atividades
de classe”[2]. Numa situação onde o
aluno está numa sala de bate papo com um falante nativo da língua inglesa, por
exemplo, a própria situação conduzirá a comunicação entre eles, como qual
expressão usar, como cumprimentar alguém, como se despedir, além da vantagem de
ser uma conversa em tempo real e que pode ter um feedback instantâneo a
respeito da língua. Nesses casos, o professor seria apenas o orientador do
estudo, indicando as possibilidades de uso em uma situação mais próxima da
realidade e de aplicação da disciplina.
No entanto, a
escola e como conseqüência, o ensino realizado nela, não têm conseguido
acompanhar o desenvolvimento das teorias e muito menos no que diz respeito ao
uso da tecnologia para fins didáticos. Se por um lado, há uma série de recursos
tecnológicos, as nossas escolas ainda possuem ferramentas limitadíssimas tanto
em quantidade como em qualidade. E ainda de acordo com a disciplina em questão,
quanto maior a variedade de opções, maior será a ausência destes recursos e
também as limitações muitas vezes impostas pela gestão das escolas ou até mesmo
pelas instituições superiores a elas.
Citamos novamente
como exemplo uma aula de língua inglesa onde os alunos irão acessar um site de bate-papo
ou o já citado Skype, onde é possível além de digitar a conversa, ver o destinatário
das mensagens e ouvi-lo. Nesta situação, o professor iria utilizar um laboratório
de informática ou de línguas com uma boa conexão de internet, um número
suficiente de computadores para todos e equipados com webcams, microfones e
fones de ouvido. Na realidade, dificilmente encontraremos uma aula de língua
inglesa ou de qualquer outra disciplina acontecendo em uma escola pública na
nossa região com todos esses aparelhos funcionando e em uma qualidade no mínimo
razoável.
O que tem
acontecido com freqüência é que nossas escolas são equipadas com poucos laboratórios
e com poucos computadores, nem sempre com softwares atualizados, internet de
baixíssima velocidade e praticamente a ausência de periféricos como webcans, fones
de ouvido, caixas de som, microfones e outros aparelhos como projetores,
notebooks, dvd´s,lousas digitais e tv’s que quase não temos acesso. Some-se
esta situação a outra: muitas vezes o uso de certos sites e programas de computador
é expressamente proibido, limitando assim, o uso didático de ferramentas com que
o aluno já é familiarizado e que poderiam ser explorados de outras formas.
Assim, concluímos
que o sistema de ensino precisa rever os seus espaços e a maneira como eles estão
sendo utilizados para ampliarmos para os nossos alunos os meios de aquisição do
conhecimento e de intervenção na sociedade através dessas novas tecnologias.
Com indicam os PCN[3]
“a escola deve compreendê-las como atividades humanas e sociais,
intrinsecamente ligadas à história das lutas da humanidade para a superação dos
limites biológicos e para a criação de um mundo social mais democrático”.
[1] CESTARO, Selma Alas Martins. O Ensino de Língua Estrangeira: História e
Metodologia.: Disponível em: http://www.hottopos.com.br/videtur6/selma.htm
Acesso em 09 de setembro de 2014.
[2] Idem.
[3]
BRASIL. Ministério da
educação. Parâmetros Curriculares
Nacionais. Ensino Médio. Parte II: Linguagens e códigos e suas tecnologias.
Brasília, MEC: 2000,pág. 12. Disponível em: http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/14_24.pdf Acesso em 11 de setembro de
2014.

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